DIÁRIO DE NOTÍCIAS DA MADEIRA | 8 DE ABRIL DE 2017
AQUI SE FAZ O DÃO
Esta é a máxima da Global Wines para descrever os seus vinhos do Paço dos Cunhas de Santar. Numa prova única, acabam agora de apresentar o seu Vinha do Contador Grande Júri 2011
O Paço dos Cunhas, em Santar, a escassos 16 quilómetros de Viseu, foi construídos por D. Pedro da Cunha, em 1609, mas a opção da família em se juntar aos Filipes, de Espanha, no decorrer da Guerra das Restauração, levou a corte portuguesa a confiscar todos os seus bens, obrigado ao seu exílio em terras de Castela.
O Paço dos Cunhas é uma das mais antigas propriedades do Dão e era antiga casa agrícola que se dedicava à produção de azeite, fruta e vinho que iam abastecer os mercados da cidade do Porto.
Atualmente, o Paço pertence à Global Wines, que após uma enorme reestruturação nas vinhas, faz aqui alguns dos seus vinhos com as uvas que saem da icónica Vinha do Contador, 7ha em solo granítico protegidos da influência marítima pela Serra da Estrela e pela Serra do Caramulo, que se veem ao longe. Estas vinhas com 30 anos estão a 400 metros de altitude e têm como castas dominantes a Touriga Nacional (para os tintos) e o Encruzado (para os brancos).
Por agora, vamos dar mais destaque à marca Vinha do Contador que apareceu pela primeira vez no mercado há 16 anos e cujo produtor lançou um interessante desafio a um painel de críticos, jornalistas, sommeliers e Masters of Wine nacionais e internacionais. A proposta, até agora única no universo dos vinhos, era a de colocar à prova a colheita de 2011 e de cada um proceder à votação. Em cima da mesa tinham duas designações de rotulagem e se a soma dos pontos atribuídos pelo painel de provadores atingisse os 94 pontos (em 100), seriam colados nas garrafas os rótulos a ostentar o nome de Vinha do Contador Grande Júri. Se a votação não atingisse esta meta, os rótulos a serem colados seriam só os de Vinha do Contador.
A contagem apontou a soma total de 95,3 e logo se começou a colar os novos rótulos nas 5,200 garrafas desta edição limitada, cujo preço deverá atingir os 90 euros. A prova deu-nos um vinho com grande elegância e harmonia feito com Touriga Nacional (60%), Aragonez (20%) e Alfrocheiro (20%). A Touriga Nacional deu-lhe a parte aromática, o floral e a acidez e o alfrocheiro emprestou-lhe o volume e as estrutura. Tudo junto resultou num grande vinho que bem pode exibir o título de Vinha do Contador Grande Júri 2011.
Veio também à prova o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Branco 2014 (Encruzado, Malvasia Fina e Cerceal Branco) que se mostrou um vinho muito gastronómico e onde se destacaram o seu sabor frutado, a frescura e longa persistência.
Por último, apreciámos o Paço dos Cunhas Vinha do Contador Aguardente Vínica Velha, que foi envelhecido durante mais de 20 anos e onde se destacaram as notas de frutos secos e madeiras exótica.
Enfim, tudo grandes produtos nascidos através da mestria do enólogo Osvaldo Amado e da sua equipa, que permite ao produtor anunciar a máxima: No Paço dos Cunhas não fazemos vinhos, fazemos o dão.
Diário de Notícias da Madeira | Domingo, 8 de Abril de 2017 | José Manuel Moroso
